Usinas solares
Fileiras de módulos em campo aberto, inversores, subestação e uma conexão com a rede: uma usina solar é a mesma tecnologia do telhado, organizada em escala maior. Entenda como elas se classificam, como um projeto nasce e por que muitas são estruturadas como SPE.
O que é uma usina solar de solo
É um conjunto de módulos fotovoltaicos instalados sobre estruturas fixadas no terreno, em vez de telhados. As estruturas podem ser fixas, com inclinação constante, ou rastreadores, que giram ao longo do dia acompanhando o sol.
Além dos módulos, a usina reúne inversores (centralizados ou distribuídos em campo), cabeamento, transformadores, sistemas de proteção, cercamento, monitoramento e o ponto de conexão com a rede.
Micro, mini e geração centralizada
| Categoria | Potência | Como a energia é usada |
|---|---|---|
| Microgeração distribuída | Até 75 kW | Compensação de créditos (telhados de casas e pequenos comércios) |
| Minigeração distribuída | Acima de 75 kW, até o limite da Lei 14.300 (em regra 5 MW; 3 MW para fontes não despacháveis, como a solar, nos pedidos posteriores ao período inicial da lei) | Compensação de créditos, inclusive em autoconsumo remoto e geração compartilhada |
| Geração centralizada | Geralmente dezenas ou centenas de MW | Venda de energia em leilões ou no mercado livre, fora do sistema de compensação |
As usinas de minigeração são as mais comuns na geração compartilhada: produzem energia em um ponto e geram créditos para unidades consumidoras em outros endereços da mesma distribuidora.
Unidades de potência
Em usinas, é comum usar MWp (megawatt-pico, mil kWp) para a potência dos módulos e MW ou MWac para a potência dos inversores, que define o limite de injeção na rede. Uma usina de 1 MWp ocupa, de forma aproximada, entre 1,5 e 2,5 hectares, dependendo da tecnologia, do terreno e do espaçamento entre fileiras.
Etapas típicas de uma usina
Estudos de viabilidade
Avaliação do terreno, da irradiação, do acesso, da topografia e da proximidade com a rede elétrica capaz de receber a energia.
Regularização do terreno e licenças
Documentação do imóvel (posse, arrendamento ou compra), licenças ambientais e municipais conforme o porte e o local.
Solicitação de acesso à distribuidora
O projeto elétrico é apresentado e a distribuidora emite o parecer de acesso, que pode prever obras na rede. Projetos de minigeração podem exigir garantia de fiel cumprimento.
Engenharia, compra e construção
Detalhamento do projeto, aquisição de equipamentos, terraplanagem, montagem das estruturas e dos módulos, instalações elétricas e subestação, quando necessária.
Comissionamento e conexão
Testes, vistoria da distribuidora e início da injeção de energia na rede.
Operação e manutenção
Monitoramento contínuo, limpeza, manutenção preventiva e corretiva, segurança patrimonial e controle de vegetação, por décadas.
O que é uma SPE e por que ela é usada
SPE significa Sociedade de Propósito Específico: uma empresa criada para realizar um único empreendimento ou um conjunto delimitado de atividades. O conceito aparece, por exemplo, na legislação sobre parcerias público-privadas e é amplamente usado em infraestrutura.
Em energia, é comum que cada usina, ou cada grupo de usinas, tenha a sua própria SPE. Os motivos mais citados são:
- Separação de riscos: ativos, contratos e dívidas do projeto ficam isolados das demais atividades dos sócios.
- Transparência: receitas e custos de um empreendimento podem ser acompanhados separadamente.
- Financiamento: bancos e investidores costumam analisar o projeto em si, com o fluxo de caixa da usina como base (project finance).
- Flexibilidade: facilita a entrada de sócios ou a transferência do empreendimento.
A SPE pode adotar diferentes formas jurídicas, como sociedade limitada ou anônima. Leia o artigo completo sobre SPE →
Usinas e o território
Usinas de solo precisam de áreas ensolaradas, relativamente planas e próximas a redes capazes de receber a energia. O licenciamento ambiental avalia impactos sobre vegetação, solo, drenagem e fauna. Soluções que combinam geração com pastagem ou cultivo e o uso de áreas já degradadas estão entre as práticas discutidas para reduzir conflitos de uso do solo.
Conteúdo informativo sobre o funcionamento de usinas solares em geral. Não descreve nem divulga empreendimentos específicos.